sábado, março 12, 2011

História de Hoje - O Analista Frankenstein

O analista Frankenstein é um ser puramente tecnológico, que acredita que ferramentas e tecnologias precedem o entendimento de capacidades de negócio, processos, regras e dos conceitos de negócio. Formado a partir de códigos Java, .NET, bancos de dados e outros fragmentos tecnológicos, este ser horrendo, que habita as TIs de todo o Brasil, usa a sua tecnologia para resolver qualquer problema.

Quando ainda criança (na faculdade), o analista Frankenstein foi educado em C++, Java, .NET e engenharia de software por seres de outras dimensões que nunca entregaram uma linha de código em um ambiente de produção no planeta Terra.

No seu primeiro estágio, o analista Frankenstein foi educado em técnicas de escrita de código-spagetti por monstros experientes em repetir os mesmos erros por mais de 20 anos e que se orgulham de não ler um único livro de TI desde que saíram das suas faculdades.
No seu primeiro emprego, o analista Frankenstein aprofundou o seu conhecimento do lado negro da força com a escrita de código lasanha, criando aplicações com 8 camadas lógicas para implementar uma simples aplicação Web corporativa.
Conseguiu a sua primeira promoção com a disseminação do horrendo padrão Modelo de Domínio Anêmico, criando “código OO” com “classes” de dados e “classes” de negócio.
Depois de cinco anos, o analista Frankenstein já se intitulava monstro sênior, e assim era reconhecido por seus pares horrendos. Ele aumentou o seu arsenal tecnológico indicando servidores de aplicação e ESBs para toda e qualquer demanda, mesmo que o problema fosse apenas acessar um banco de dados. Ele somou ao seu curriculum certificações de todos os grandes fornecedores de mercado e usa a sua imensa lista de certificações no seu horrendo email, que tem uma assinatura maior que a mensagem do corpo.
Este monstro horrendo, após dez anos, já havia passado por várias empresas e causado prejuízos gigantescos e contribuído pela má reputação que a TI goza junto às áreas de negócio.
Astuto, este monstro abandona a empresa quando a tecnologia inadequada começa a mostrar os seus resultados ruins e assim vai assombrando outras organizações. Infelizmente ele não é visto desde o ano passado e o seu paradeiro é desconhecido. Felizmente, ele pode ser desmascarado com seis perguntas simples, que compartilho abaixo:
  • Você elicitou, desenvolveu e priorizou os condutores de negócio mais importantes para o aumento das capacidades de negócio da sua organização? 
  • Você desenvolveu uma arquitetura agnóstica de tecnologia para capturar as abstrações chave e mecanismos derivados dos condutores de negócio?
  • Você buscou e avaliou as tecnologias que respondem de forma sincera aos requisitos da arquitetura candidata, incluindo as tecnologias já experimentadas e maduras da sua organização?
  • Você experimentou e provou a tecnologia com uma ou mais provas de conceito que exercitaram os cenários de negócio mais signicativos para os seus usuários chave?
  • Você estaria disposto a aprender e usar outras linguagens de programação, caso estas linguagens se mostrarem mais adequadas à nossa empresa?
  • Você fala mal das tecnologias e linguagens de programação que você não usa como se fossem os times de futebol que jogam contra o seu time do coração?

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