Sunday, January 09, 2011

TABELA PRICE: JUROS SIMPLES OU COMPOSTOS?

1. Introdução
Estabeleceu-se no sistema jurídico nacional uma polêmica entre os operadores de direito sobre uma questão que tem sido objeto de muitas demandas. Trata-se da discussão da validade, da legalidade de utilização da Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês para diversos tipos de operações de crédito ou de arrendamento mercantil (Leasing) a serem liquidados por uma série de pagamentos iguais e sucessivos.

O argumento principal nessas ações é de que a Tabela Price contempla juros compostos, juros sobre juros, o que seria vedado por lei, já que só se admite a capitalização composta de juros em operações financeiras para as quais haja lei autorizativa e que conste expressamente do contrato a previsão de aplicação de juros compostos. O assunto se tornou mais tormentoso ainda, pois até entre peritos ocorre dissenso, uns interpretando que ocorre a aplicação de juros sobre juros e outros entendendo que não. Nos propomos, no decorrer deste trabalho, tentar desmistificar a questão, contribuindo para que se aclare o entendimento da matéria.

2. O que é o Sistema Francês de Amortização
Segundo o Prof. Mário Geraldo Pereira, em sua dissertação de Doutoramento na USP, este sistema de amortização foi criado no século XVIII pelo filósofo, teólogo e matemático inglês Richard Price, incorporando a teoria de juros compostos nos empréstimos de pagamentos iguais e sucessivos. Segundo este mesmo estudioso a denominação “Tabela Price” é utilizada somente no Brasil, visto que em outros países é conhecido por “Sistema Francês de Amortização, devido ao fato de ter se desenvolvido efetivamente na França, no século XIX.

A Tabela Price nada mais é que uma tábua de fatores através dos quais se pode calcular, mediante simples operações matemáticas de multiplicação, o valor da prestação, assim como o valor de cada parcela de juros e amortização e o saldo devedor (estado da dívida) a qualquer momento durante a evolução da série de pagamentos.

Convém deixar claro que os fatores embutem, quando do cálculo do valor da prestação inicial, os juros contratados, com o critério de capitalização composta. Já quanto à correção monetária, geralmente há a previsão de um indexador a ser aplicado para a preservação do poder aquisitivo da moeda.

3. Contexto histórico da criação da "Tabela Price"
Importante ainda salientar que na época em que foi criada a Tabela Price, no século XVIII, não existiam nem mesmo calculadoras, sendo os cálculos realizados por instrumentos rudimentares que não permitiriam o cálculo exponencial dos juros compostos. Esta tábua de fatores chamada Tabela Price veio possibilitar que os cálculos fossem feitos com simples operações matemáticas, adequadas aos instrumentos disponíveis à época, caso contrário seriam necessárias calculadoras financeiras que não existiam àquele tempo.

Para melhor ilustrar a dificuldade do homem médio de se elaborar cálculos financeiros, em 1971, quando cursávamos o primeiro ano de Engenharia na UFMG, somente dois alunos em nossa classe possuíam calculadoras manuais. Todos os outros alunos se utilizavam da régua de cálculo para fazer todos os cálculos, desde os mais simples até os mais complexos. Nesta ocasião já havia o curso de programação Fortran na Escola de Engenharia, mas o computador era único, situado na Reitoria da UFMG, funcionava a cartões perfurados e ocupava parte apreciável da enorme sala onde se localizava.

Com a elaboração da Tabela Price de fatores para diferentes situações de taxas e de prazos possibilitou-se ao leigo o acesso à evolução de sua operação de crédito ou arrendamento mercantil. Em 1970 o Prof. Abelardo de Lima Puccini publicou um livro intitulado “Tabela Price – Impressa em Computador”, onde apresentou fatores para taxas de juros variando de 5% a 36% ao ano e prazos de financiamento de um a vinte anos. Até então e ainda por algum tempo consultava-se na Tabela Price os fatores necessários para se fazer os cálculos de financiamentos ou arrendamento mercantil neste sistema. Com a grande disponibilidade, a custos acessíveis, de calculadoras financeiras e computadores pessoais, deixou-se de consultar os referidos fatores e passou-se a usar estes equipamentos, onde se entra com os parâmetros necessários e se obtém imediatamente os valores procurados.

4. Outros sistemas de amortização
No decorrer deste trabalho nos referiremos sempre ao Sistema Francês de Amortização, ou Tabela Price, que é um sistema de prestações constantes, convencionando-se que com a ocorrência de pagamentos e deduzindo-se os juros sobre o saldo devedor, a diferença entre estes e o valor fixo da parcela é lançado a título de amortização. Há entretanto outros sistemas de financiamento, quais sejam:

          SAC – Sistema de Amortizações Constantes
          SAM – Sistema de Amortizações Misto (Média aritmética de Price + SAC)
          SACRE – Sistema de Amortizações Crescentes

Estes sistemas, apesar de distintos na forma da distribuição dos juros e da amortização ao longo do financiamento, são todos baseados em capitalização composta, configurando também o anatocismo, como ocorre com a Tabela Price. Por isto quando nos referimos à Tabela Price no decorrer deste trabalho estamos nos referindo a todos estes sistemas de amortização.

5. Capitalização simples ou composta?
Várias argumentações são colocadas contra a interpretação de que a Tabela Price contempla capitalização composta, juros sobre juros, anatocismo. Abordaremos a seguir cada uma dessas motivações, com o intuito de alcançarmos uma visão clara e definitiva da matéria sob exame.

    5.1 Mercado x Sistema Jurídico
   Argumenta-se que não é razoável guerrear a Tabela Price, visto que é um sistema mundialmente utilizado e que a utilização de juros compostos é comum no mercado financeiro, que seria um absurdo tentar mudar todo o cálculo de juros no sistema financeiro para juros simples. Alega-se, ainda, que se os juros no mercado financeiro passarem a ser simples isto certamente vai causar reflexo no aumento das taxas de juros, de tal forma a preservar o lucro líquido dos agentes financeiros. Nesta linha de abordagem reputa-se como mais importante o vulto da taxa de juros aplicada e não se são simples ou compostos.

Primeiramente há que se ressaltar que o mercado pode sim influenciar os procedimentos nas operações financeiras, mas somente através de Lei. Entenda-se, portanto, que enquanto uma Lei estiver em vigor, mesmo que contrarie toda a prática do mercado e o bom senso, esta lei tem que ser cumprida, sob pena de não ser possível manter a ordem jurídica no País.

Para a manutenção do Estado de Direito é preciso que as regras sejam claras e sejam cumpridas, pois do contrário se instalaria a anarquia. Se as leis não foram mudadas, o sistema financeiro tem que se adequar a elas, mesmo que com reflexo no aumento das taxas nominais de juros, os quais, aliás, são livremente estipulados pelas instituições financeiras.

Examinando-se no sentido contrário, poderíamos concluir que se o sistema adotado fosse o de juros simples e depois a lei mudasse para juros compostos, seria de se esperar que houvesse a respectiva redução nas taxas nominais. Insistimos mais uma vez: É necessário que as regras sejam claras e respeitadas, o que não significa que elas não possam ser mudadas, através de leis que o façam.

    5.2 Juros sobre saldo devedor não implicam em juros sobre juros.
    Nesta linha de abordagem os defensores da tese de que não se contempla juros compostos na Tabela Price alegam que neste sistema os juros são lançados mês a mês sobre o saldo devedor e que a diferença entre o pagamento e os juros é lançada como amortização, não ocorrendo a incidência de juros sobre juros.

Ora, os juros são lançados a débito mensal na planilha financeira da operação de crédito apenas através de convenção utilizada pelo criador do sistema.
Convencionou-se que a cada mês são calculados os juros e só a diferença pode ser lançada a título de amortização do principal. Na linguagem da matemática financeira, entretanto, esta convenção é absolutamente irrelevante, pois dento dos princípios matemáticos só faz sentido raciocinar em termos de um valor presente que é obtido numa data zero e cujos pagamentos são feitos sucessivamente através de várias parcelas futuras.

     5.3 Critério universal: Fluxo de caixa descontado
    A única forma de se aferir os efeitos financeiros na operação de crédito ou arrendamento mercantil é trazer todos os pagamentos a valor presente, utilizar-se o que se chama “fluxo de caixa descontado”. Como premissa da matemática financeira só interessa que foi transferida uma importância numa data inicial e são feitos vários pagamentos para retornar o capital, não interessando se a título de juros ou de amortização. Como os juros são frutos do capital, são tratados na mesma unidade do capital e não faz a menor diferença de como se convencionou lançá-los contabilmente.

Há que se frisar que em todas as operações de crédito e arrendamento mercantil de prazo de pagamento sucessivo de dois meses ou mais, em havendo lançamento mensal de juros ocorre a incidência de juros sobre juros, ou seja, o simples fato de que os juros incidem sobre o saldo devedor não significa que são juros simples.

    5.4 Os juros compostos são utilizados no cálculo da prestação, a planilha de evolução do financiamento apenas os confirma
É muito importante ressaltar, outrossim, que a aplicação da fórmula da Tabela Price para o cálculo da prestação já insere imediatamente em si os efeitos da capitalização composta na operação. A tentativa de se deslocar a discussão para o sistema de amortização, de como são lançados juros e amortização do principal é, via de conseqüência, totalmente inócua, pois o efeito da capitalização composta já se faz presente quando se utiliza a fórmula abaixo e se calcula o valor da prestação:

          R = P x [ i (1 + i)n ] ÷ [ (1 + i )n -1]

       Onde:
       R = Prestação
       P = Principal
       i  = Taxa
       n = Número de parcelas

A alegação de alguns de que a divisão de uma expressão exponencial por outra expressão exponencial suprimiria os efeitos da capitalização composta é uma aberração matemática que nem merece comentários.

Argumenta-se também que tomando-se apenas uma parcela de pagamento no sistema Price constata-se que os juros são simples. A afirmação é destituída de fundamento, pois como se trata de um sistema de financiamento, não se concebe matematicamente que seja comparado apenas um mês, há que se considerar todo o sistema em seu contexto geral e não em partes visto que a capitalização composta só se configura para um número de parcelas maior que um.

     5.5 Argumentações sob o ponto de vista contábil
    Outras motivações para atacar a hipótese dos juros compostos na Tabela Price abordam a Teoria Geral do Conhecimento Contábil e a correta interpretação da origem do fenômeno patrimonial. Nesta linha de trabalho considera-se cada parcela de pagamento isoladamente, sem a análise do sistema em seu contexto geral, o que não é permitido, conforme expusemos no final do item anterior. Obviamente que as empresas obrigadas a elaborar demonstrações contábeis têm que apropriar separadamente os valores a título de juros e a título de amortização do principal.

A intenção do legislador e a função jurisdicional do Judiciário, porém, é a análise em termos financeiros e não contábeis, abrangendo tanto empresas como pessoas físicas. Como já afirmamos linhas atrás a matemática financeira analisa todas as operações como um fluxo de caixa descontado, onde se transfere uma quantia inicialmente, a qual retorna através de vários pagamentos. Não importa, para os efeitos que a Lei intenta prevenir, o valor individual dos juros e da amortização, mas sim os efetivos pagamentos realizados que, levados a valor presente, serão confrontados com o principal, aferindo os demais parâmetros da operação.

     5.6 Juros sobre juros e capitalização composta não se confundem
    Há alegações de que os juros sobre juros não são a mesma coisa que capitalização composta, pois se os juros foram vencidos e não pagos incorporam-se ao capital, desaparecendo a figura dos juros sobre juros. Este argumento procede nos casos em que o vencimento dos juros ocorre em períodos menores que o período da operação de crédito. Mas o sistema Price tem a abordagem muito mais ampla e diferenciada.

É um sistema que tem por objetivo determinar prestações iguais e sucessivas para retornar um capital cedido, não se falando de vencimento de juros durante o financiamento, mas apenas da forma de apropriá-los contabilmente.

     5.7 Há a capitalização composta, mas não juros sobre juros ou anatocismo
    Esta argumentação também falece de fundamento, tendo em vista que a matemática financeira, através de conceitos e fórmulas, só admite duas formas de aplicação de juros: simples ou compostos. Se não são simples, só podem ser compostos. Pela simples utilização da fórmula já se embutem os juros compostos nas prestações a serem pagas. Matematicamente só se consegue retornar o mesmo capital, no Sistema Francês de Amortização,  se as prestações forem retornadas a valor presente pela fórmula de juros compostos.

Ademais, entendemos que a intenção do legislador foi de fixar o critério de juros simples, vedando qualquer outra forma mais onerosa. Em pesquisa bibliográfica que realizamos só encontramos textos que identificam entre si, e não diferenciam, os efeitos de capitalização composta, juros sobre juros e anatocismo.

6. Conclusão
Esgotam-se, portanto, todas as tentativas de contestar o óbvio: A Tabela Price contempla juros compostos, ou seja, juros sobre juros, configurando o anatocismo. A melhor forma de se testar esta assertiva é fazer o fluxo de caixa descontado retornando a valor presente todas as parcelas pela fórmula de juros compostos, chegando-se, assim, ao valor da operação de crédito. Se, ao contrário, for utilizada a fórmula de juros simples para retornar as prestações a valor presente, chegar-se-á a um valor que não coincide com o valor do principal da operação.

Comparação Price x SAC

Vamos fazer a comparação de um financiamento com as seguintes características:
  • Valor do financiamento: R$ 50.000,00
  • Período do financiamento: 50 meses
  • Taxa de juros do financiamento: 1% ao mês
Colocando lado a lado os gráficos para os dois sistemas:
Financiamento Price   Financiamento SAC
 

Financiamento Price Financiamento SAC
Valor da parcela:

Total de Juros:
Total Pago:  
R$ 1.275,64

R$ 13.781,77
R$ 63.781,77
Valor da parcela 01:
Valor da parcela 50:
Total de Juros:
Total Pago: 
R$ 1.500,00
R$ 1.010,00
R$ 12.750,00
R$ 62.750,00

Saturday, January 08, 2011

Falácias Lógicas

As falácias lógicas são erros de raciocínio ou de argumentação, erros que podem ser reconhecidos e corrigidos por pensadores prudentes. Este ensaio lista e descreve todas as falácias lógicas conhecidas. O ponto central de um argumento é expor razões que sirvam de suporte para alguma conclusão. Um argumento comete uma falácia quando as razões apresentadas, de fato, não sustentam a conclusão.

Lista de Falácias

Falácias de Dispersão
      Falso Dilema: são dadas duas alternativas quando de fato há três ou mais
      Apelo à Ignorância: conclui-se que uma proposição é falsa (ou verdadeira) porque não se sabe se é verdadeira (ou falsa)
      Declive Escorregadio: conseqüências cada vez mais inaceitáveis são derivadas em série
      Pergunta Complexa: duas proposições são ligadas no que aparenta ser uma só pergunta.

Apelo a Motivos em Vez de Razões
      Apelo à Força: o ouvinte é persuadido a concordar pela força
      Apelo à Piedade: apela-se à compaixão ou simpatia do ouvinte
      Conseqüências: o ouvinte é prevenido contra conseqüências inaceitáveis
      Linguagem Preconceituosa: associam-se valores morais positivos à causa defendida pelo autor
      Apelo ao Povo: defende-se que uma proposição é verdadeira porque segundo a maioria da população ela é verdadeira

Fugir do Assunto
      Ataques Pessoais:
            (1) ataque ao caráter da pessoa
            (2) referem-se circunstâncias relativas à pessoa
            (3) invoca-se o fato da pessoa não praticar o que diz

      Apelo à Autoridade:
            (1) a autoridade não é um perito no campo em questão
            (2) não há acordo entre os peritos do campo em questão
            (3) a autoridade não pode, por algum motivo ser levada a sério - porque estava brincando, estava bêbada, etc.

      Autoridade Anônima: a autoridade em questão não é declarada
      Estilo Sem Substância: sente-se que o modo como o argumento (ou o argumentador) é apresentado afeta a verdade da conclusão

Falácias Indutivas
      Generalização Precipitada: a amostra é demasiado pequena para apoiar uma generalização indutiva sobre o domínio em questão
      Amostra Não Representativa: a amostra não é representativa do domínio em questão
      Falsa Analogia: desprezam-se diferenças relevantes entre os objetos ou acontecimentos comparados
      Indução Preguiçosa: nega-se, apesar dos indícios favoráveis, a conclusão de um forte argumento indutivo
      Falácia de Omissão: não é considerada toda a informação relevante que devia pesar na conclusão de um forte argumento indutivo

Falácias Envolvendo Silogismos Estatísticos
      Acidente: uma generalização é feita quando as circunstâncias sugerem que deve haver exceções
      Inversa do Acidente : generaliza-se o que apenas devia ser tomado como exceção

Falácias Causais
      Post Hoc: pelo fato de algo acontecer após outra coisa pensa-se que a coisa causa a algo em questão
      Efeito Conjunto: conclui-se que uma coisa é causa de outra coisa quando, de fato, ambas as coisas são o efeito conjunto de uma causa subjacente
      Insignificância: conclui-se que uam coisa é causa de algo, mas apesar de também o ser, é insignificante quando comparada com outras causas deste algo
      Direção Errada ou Contramão: a relação entre causa e efeito é invertida
      Causa Complexa: a causa identificada é apenas uma parte da totalidade da causa do efeito

Errando o Alvo
      Petição de Princípio: a verdade da conclusão já estava presumida nas premissas
      Conclusão Irrelevante: um argumento apresentado para defender uma conclusão prova, em vez disso, outra conclusão
      Espantalho: o autor ataca um argumento diferente (e/ou mais fraco) do que o melhor argumento do opositor

Falácias da Ambiguidade
      Equívoco: o mesmo termo é usado em dois sentidos diferentes
      Anfibologia: a estrutura de uma frase permite duas interpretações diferentes
      Ênfase: a ênfase numa palavra sugere um sentido diferente daquele que de fato é enunciado

Erros de Categorização
      Composição: como os atributos das partes de um todo têm certa propriedade, argumenta-se que o todo tem esta propriedade
      Divisão: como o todo tem uma certa propriedade, argumenta-se que as partes têm essa propriedade

Non Sequitur
      Afirmação do Conseqüente: qualquer argumento na seguinte forma: Se A então B, B, portanto A
      Negação do Antecedente: qualquer argumento na seguinte forma: Se A então B, Não A, portanto Não B
      Inconsistência: o argumentador usa premissas que não podem ser simultaneamente verdadeiras

Erros Silogísticos
      Falácia dos Quatro Termos: um silogismo possui quatro termos
      Meio Não Distrubuido: diz-se que duas categorias separadas estão ligadas porque elas compartilham uma propriedade em comum
      Ilícito Maior: o predicado da conclusão fala sobre a totalidade de algo mas as premissas mencionam apenas alguns casos do termo no predicado
      Ilícito Menor: o sujeito da conclusão fala sobre a totalidade de algo mas as premissas mencionam apenas alguns casos do termo no sujeito
      Falácia de Premissas Exclusivas: um silogismo possui duas premissas negativas
      Falácia de Criar uma Conclusão Afirmativa de uma Premissa Negativa: como o nome já diz
      Falácia Existencial: uma conclusão em particular é criada de premissas universais

Falácias da Explicação
      Inventando Fatos: o fenômeno que se pretende explicar não existe
      Torcendo os Fatos: a evidência para o fenômeno que está sendo explicado é tendenciosa
      Irrefutabilidade: a teoria usada para explicar algo não pode ser testada
      Âmbito Limitado: a teoria só pode explicar uma coisa
      Profundidade Limitada: a teoria explicativa não apela a causas subjacentes

Falácias de Definição
      Demasiado Ampla: a definição inclui mais do que devia incluir
      Demasiado Restrita: a definição não abrange tudo o que devia abranger
      Falta de Clareza: a definição é mais difícil de entender do que a palavra ou conceito que está sendo definido
      Circularidade: a definição inclui o termo que está sendo defido como parte da definição
      Condições Conflitantes: a definição é auto-contraditória

Proposição
Valor da Verdade
Tabela da Verdade
Operadores Lógicos
      Disjunção ( ou )
      Negação ( não )
      Condicional ( se-então )
      Conjunção ( e )
      Bicondicional ( se-e-apenas-se )

Software

INFORMAÇÃO ESTRATÉGICA, TÁTICA, OPERACIONAL

Um grande aliado no planejamento de ações futuras, é o conhecimento das ações feitas no passado, possibilitando identificar suas falhas e acertos.

Esse conhecimento é o núcleo de um Centro de Memória.

A leitura criteriosa desta documentação estratégica do Centro, é uma contribuição ímpar para valorizar o trabalho feito pelos fundadores e funcionários, além de evidenciar para os sucessores as dificuldades enfrentadas para se tornar uma empresa de sucesso.

Na análise visando à preservação documental, algumas informações podem estar inte­gradas e/ou relacionadas entre diversos tipos de documentos, por isso, a característica da informação é um item importante para entender sua abrangência:

ESTRATÉGICAS

Decisões da alta admi­nistração que geram atos com efeito duradouro, a partir do planejamento estratégico, como por exemplo, uma nova fábrica, nova linha de produção, novos mercados, novos produtos, novos serviços, que envolvem toda a estrutura organizacional, com informações macro, ou seja, utilizam informações internas e externas.

TÁTICAS

Decisões que ocorrem no nível gerencial e produzem efeitos a médio prazo e de menor impacto na estratégia da organização, com informações sintetizadas por unidade departamental, de um negócio ou uma atividade da empresa.

OPERACIONAIS

Decisões ligadas ao controle e às atividades operacionais da empresa, para alcançar os padrões de funcionamento pré-estabelecidos, com controles do detalhe ou do planejamento operacional, criando condições para a realização adequada dos trabalhos diários da organização, com nível de informação de pormenores de um dado, uma tarefa ou uma atividade.

Faz parte da análise da informação a ser preservada em um Centro de Memória a consideração de algumas características para o conjunto documental:

  • Conteúdo único;
  • Sem generalizações;
  • Não abstrata (auto-explicativa);
  • Mais de duas palavras;
  • Sem verbo;
  • É diferente de documento.

Nossa Realidade

Enem


Friday, January 07, 2011

Custo de Capital

Os proprietários ou terceiros ao investir ou aplicar recursos em uma determinada entidade, exigem um retorno mínimo a título de remuneração do seu capital. A taxa de captação dos recursos entregues à administração da empresa, levado em conta o princípio contábil da entidade (ver princípios contábeis), denota o custo do capital que representa a taxa de financiamento da entidade.
Conforme Atkinson et. al. (2000), o custo do capital pode ser representado pela taxa de juros que as empresas usam para calcular, descontando ou compondo, o valor do dinheiro no tempo (vide custo de oportunidade). Assim os recursos empregados na entidade, sob a forma de investimento dos proprietários, recursos captados no mercado financeiro sob a forma de investimento em títulos emitidos pela empresa (ver ações, debentures) ou obtidos sob a forma de empréstimos, calculado o custo médio de obtenção do capital necessário às operações da entidade através da média do percentual de cada fonte desses recursos.
O capital total para uma empresa é o valor de seu patrimônio líquido mais o custo pelo fato de possuir dívida (obrigações ou passivo). O Custo do capital de uma empresa é fator de fundamental importância para uma variedade de decisões a serem tomadas, alguma delas são relacionadas por Easley e Maureen (2004), no paper Information and the Cost of Capital, The Journal of Finance n° 4, de 2004, por meio do qual demonstram que as diferenças na composição de informações entre públicas e privadas afetam o custo do capital, bem como que a taxa de obtenção de capitais para projetos de investimentos influenciam a estrutura de capital da empresa. O custo do capital tem efeito sobre as operações da empresa que, subseqüentemente, afeta a sua lucratividade, e é obtido considerando todas as fontes dos recursos postos à disposição da empresa, de acordo com a participação percentual do capital próprio e de terceiros. O Custo Médio Ponderado de Capital - CMPC é obtido pelo custo de cada fonte de capital ponderado por sua respectiva participação na estrutura de financiamento da empresa. Davis e Pointon (1996, p. 171) exemplificam a forma de cálculo: vamos calcular o valor do CMPC da empresa, financiada pelo Patrimônio Líquido (PL) de $ 600.000 e dívidas de $ 400.000. Portanto, há 60% de capital próprio e 40% de capital de terceiros. A remuneração requerida pelos acionistas é de 20% e o custo da dívida é de 10%.

        CMPC = (20% x 0,6) + (10% x 0,4) = 16%

O melhor entendimento do CMPC pressupõe o da estrutura de capital, do custo do capital de terceiros, do capital próprio, bem como da noção de risco e retorno. Além disso, mostra-se, em seguida, o clássico modelo de precificação de ativos, o CAPM.

Thursday, January 06, 2011

Bill gates

Gestão de Projetos de TI - I: Considerações Finais

Esse primeiro tutorial abordou os incentivos econômicos e financeiros que regulam as relações entre:
  • Investidores e empresas que atuam em mercados ligados à informação;
  • Fornecedores e clientes finais de bens da informação (onde as relações são mediadas pelo uso intensivo de TI).
Com efeito, procurou: discutir e enfatizar o conceito e importância da geração de valor (seção 2); relacionar este conceito com as principais dimensões econômicas que afetam o retorno sobre investimentos (seção 3); discutir a importância das Demonstrações Contábeis na modelagem e avaliação de projetos (seção 4); destacar a importância de ferramentas necessárias ao dimensionamento e estratégia econômica da operação (seção 5); entender quais aspectos são relevantes na exposição de projetos à linhas de crédito (seção 6).

O segundo tutorial da série, objetiva apresentar modelos e instrumentos amplamente empregados nos processos de avaliação de projetos.

Por fim, o terceiro tutorial da série, parte dos conceitos e técnicas apresentadas nos dois primeiros tutoriais para discutir sumariamente o Case I-Phone da Apple.

Referências
  1. ASSAF NETTO, A. Finanças corporativas e análise de valor. São Paulo: Atlas, 2002.
  2. BLANARU, A.; TELES, E. L. Estudo sobre a avaliação de empresas diante das condições de incerteza das premissas: análise probabilística gerada por simulação de Monte Carlo como auxílio ao processo decisório.
    Disponível em: <http://www.investsul.com.br/textos_academicos.asp>.
    Acesso em: 23 nov. 2006.
  3. CARTON, D. W.; PERLOFF, J. M. Modern industrial organization. New York: Pearson Addison Wesley, 2005.
  4. COPELAND, T. E.; KOLLER, T.; MURRIN, J. Avaliação de empresas - valuation: calculando e gerenciando o valor das empresas. Tradução Allan Vidigal Hastings. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 2002.
  5. COPELAND, T. E.; WESTON, J. F. Financial theory and corporate policy. 3rd ed. Reading: Addison-Wesley, 1992.
  6. DAMODARAN, A. Finanças corporativas: teoria e prática. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004.
  7. EHRLICH, P. J.; MORAES, E. A. Engenharia econômica: avaliação e seleção de projetos de investimento. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
  8. FERGUSON, C. E. Microeconomia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.
  9. HELFERT, E. A. Técnicas de análise financeira. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000.
  10. KERZNER, H. Gestão de projetos: as melhores práticas. Porto Alegre: Bookman, 2002.
  11. PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomics. São Paulo: Makron Books, 2002.
  12. POMERAZ, L. Elaboração e análise de projetos, São Paulo: Hucitex, 1985.
  13. PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos – guia PMBOK. 3. ed. Newtown Square: PMI, 2004.
  14. ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. F. Administração financeira: corporate finance. Tradução Antonio Zoratto Sanvivente. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
  15. RUTH, G. E. Empréstimos a pessoas jurídicas. São Paulo: IBCB, 1991.
  16. SHAPIRO, C.; VARIAN, H. R. Information rules. Massachusetts: Havard Business School Press, 1999.
  17. VARIAN, H; FARREL, J.; SHAPIRO, C. The economics of information technology. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.
  18. VARIAN, H.R. Microeconomia: princípios básicos. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
  19. WOILER, S.; MATHIAS, W. F. Projetos: planejamento, elaboração e análise. São Paulo: Atlas, 1996. 294 p.

Gestão de Projetos de TI - I: Linhas de Crédito

Como salientado nas seções anteriores, o financiamento de novos empreendimentos depende e afeta a estrutura de ativos e passivos da empresa que o executa. O tratamento sistemático de informações financeiras da empresa resulta na classificação de crédito (credit scoring) e perfis de riscos de propostas (credit rating).

Em linhas gerais, uma operação de financiamento envolve a expectativa de recebimento (ou pagamento) de determinada quantia de dinheiro por determinado período de tempo.

O processo de captação de recursos e sua contratação têm como base a obtenção e análises de indicadores econômico-financeiros (IEF) que, ao refletir os riscos de transferência de ativos, se repercutem na estrutura de financiamento.

Nesse contexto, seis critérios são tradicionalmente utilizados. Estes são conhecidos como os 6 C’s de uma operação de crédito (RUTH, 1991; DAMODARAN, 2004), sendo apresentados e discutidos a seguir.
  • Caráter: avaliação qualitativa e quantitativa em torno do profissionalismo e qualidade do management, integridade, comprovada aderência à estratégia, etc.; difícil medição, agencias de rating e análise de crédito, pesquisa junto a clientes e fornecedores, entrevistas, visitas às instalações;
  • Capital: tipo, quantidade e qualidade de ativos sob controle (tem como base a avaliação de demonstrações contábeis da corporação);
  • Conglomerado: é preciso avaliar as condições econômicas e financeiras das empresas coligadas (esta avaliação pode auxiliar ou colocar restrições às operações de transferência de ativos);
  • Capacidade: avaliação do projeto e demais fontes e volume de de recursos que irão ser utilizados para saldar obrigações assumidas;
  • Colateral: avaliação de garantias que podem ser postas à disposição caso haja precariedade nos demais C’s do crédito [as garantias devem ser avaliadas (direitos, local, valor, etc.) e não constituem o objetivo final da operação de crédito];
  • Condições: avaliação quantitativa e quantitativa do mercado de atuação.
Associados aos 6 C’s do crédito, e considerando a fraca relação entre o curto e longo prazo das operações, certas fontes de risco afetam profundamente os empreendimentos.
  • Risco operacional – possibilidade da empresa não ser capaz de arcar com os custos operacionais cujo nível é determinado pela estrutura e estabilidade das receitas e custos (custos variáveis) e despesas operacionais;
  • Risco financeiro – possibilidade de a empresa não ser capaz de saudar suas obrigações financeiras cujo nível é determinado pela previsibilidade dos fluxos de caixa operacionais da empresa e seu nível de obrigações financeiras;
  • Risco de taxa de juros – possibilidade de variação nas taxas de juros as quais possuem relação inversa com o valor dos ativos;
  • Risco de liquidez – possibilidade de que o ativo não possa ser liquidado a preço razoável cuja magnitude é afetada pelo porte e número de vezes em que este ativo pode ser negociado;
  • Risco de mercado – o valor de um ativo responde pela dinâmica de mercados que não possui relação direta com o mercado do ativo em si (demanda derivada). Assim, quanto mais sensível é a variação do preço do ativo, em razão da flutuação em mercados correlatos, maior seu risco;
  • Risco de evento – possibilidade de que um evento totalmente inesperado exerça influência sobre o valor da empresa ou sobre o valor de um ativo específico;
  • Risco de câmbio – exposição do valor do ativo a variações futuras nas taxas de câmbio podem acarretar efeitos adversos sobre o fluxo de caixa;
  • Risco de poder aquisitivo – possibilidade de que variações sistemáticas nos níveis gerais de preços (inflação ou deflação) afetem desfavoravelmente o fluxo de caixa em função de variações relativas no valor das receitas e custos;
  • Risco de tributação e regulatório – possibilidade que mudanças inesperadas na legislação tributária venham a ocorrer.
Com efeito, algumas dessas fontes de riscos podem ser captadas por meio de indicadores econômico-financeiros. Obtidos a partir de Demonstrações Contábeis os índices de liquidez, endividamento, rentabilidade, etc., respaldam a análise de crédito das operações. A formulação de cada classe de indicador econômico-financeiro pode ser estudada em Damodaram (2004). Já as principais fontes de risco são descritas abaixo.

Em suma, vimos que o tamanho da empresa e sua rentabilidade dependerão da escala operacional e do fluxo de investimentos rentáveis que ela for capaz de fazer ao longo do tempo. Já o valor de uma empresa depende da capacidade de caixa que ela é capaz de gerar e conseqüentemente distribuir aos seus. A estrutura ótima de capital será aquela que trouxer maior valor aos investidores.

As dívidas onerosas geram obrigações legais – indo ou não bem a empresa que deverá saldá-las. Maior volume de investimento aumenta o risco do empreendimento. Por outro lado, o modo como o capital é financiado pode afetar o valor e o risco do empreendimento.

Nesse contexto, alguns princípios se relacionam diretamente com os 6 C’s de uma operação de crédito. Os passos de avaliação de crédito para obtenção de financiamento estão diretamente relacionados à elaboração de um Estudo de Viabilidade Econômica e Financeira.

Conforme as figuras apresentadas á seguir, os processos de avaliação e de concessão de crédito estão relacionados: análise da empresa e ou grupo econômico, análise do mercado de atuação e análise do projeto.

A figura 16 apresenta as variáveis geralmente associadas à análise da empresa e ou grupo econômico. Esta fundamentação dará uma idéia dos aspectos organizacionais, produtivos e financeiros essenciais à concessão do financiamento. A rigor essas informações permitem avaliar possíveis riscos e inconsistências do empreendimento.

A avaliação qualitativa é complementada por meio de avaliações quantitativas por meio de indicadores econômico-financeiros obtidos a partir de informações cedidas pela empresa. A apresentação organizada dessas informações é, em muitos casos, obrigatória.

Figura 16: Aspectos críticos na análise da empresa ou grupo econômico para a concessão de crédito.

Figura 17: Aspectos críticos na análise do mercado para a concessão de crédito.

Nesse tipo de análise deve-se fundamentar quais os principais fatores afetam os níveis de receitas e custos.

Os bancos elaboram e divulgam periodicamente estudos setoriais. O cruzamento das informações apresentadas com os dados apresentados na proposta permite a avaliação dos riscos de mercado.

Portanto, o grau de exposição ao risco é avaliado por meio da análise de dados de natureza microeconômica. Esses dados devem ser fundamentados por meio de informações contábeis, estudos e dados secundários obetidos a partir de fontes externas idôneas (IBGE, FIPE, FGV, associações classistas, etc.).

Figura 18: Aspectos críticos na análise do projeto para a concessão de crédito.

A análise do projeto é feita por meio de critérios qualitativos e quantitativos. A capacitação gerencial em projetos constitui um aspecto importante. O projeto deve ser justificado de maneira consistente.

É importante apresentar no plano do projeto, um relatório de viabilidade econômica e financeira bem fundamentado e consistente bem como os critérios de determinação de gastos. Os resultados esperados devem ser consistentes para permitir sua avaliação.

Gestão de Projetos de TI - I: Microeconomia e Projetos

Como evidenciado acima, o estudo de finanças corporativas auxilia na organização das informações do projeto e do mercado bem como fornece instrumentos destinados à análise de propostas com vistas à determinação do valor dos ativos. Ao fazer isso lida com os fluxos de caixa distribuídos no tempo. As informações são registradas no DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS – instrumento que retorna estimativas do fluxo de caixa da operação.

Como relacionado na figura 13 e considerando a questão do valor descrita anteriormente, a modelagem de um projeto envolve o orçamento de uma série de parâmetros relacionados à análise de viabilidade do projeto. Esses permitem estimar o resultado de uma operação, avaliar os possíveis impactos sobre a composição de ativos, passivos e caixa da corporação bem como o acompanhamento as ações da gestão (baseline).

Figura 13: Orçamento de um projeto de investimento.

Particularmente e do ponto de vista microeconômico, a projeção de vendas envolve o dimensionamento de receitas. Essas se encontram relacionadas à estimação das quantidades (xi) e preços (pi) dos produtos e ou serviços a serem providos a partir da finalização do projeto. A partir dessas projeções, as receitas geradas podem ser dimensionadas por meio da seguinte expressão:


Ainda termos microeconômicos, a projeção dos custos de produção, ao depender de custos fixos (CF) e custos variáveis (CV), pode ser traduzida da seguinte forma:


Do tratamento desses drivers de custos, se origina uma série de curvas (custo fixo médio, custo variável médio, custo marginal, etc.) que permitem derivar a curva de demanda pelo bem ou serviço.

Então uma tarefa crucial é avaliar quais fatores afetam a demanda e oferta ou, em outros termos, verificar os fatores que interferem significativamente na determinação das receitas e custos da nova operação. Isso envolve determinar a curva de demanda e curva oferta, respectivamente. A rigor, a análise de mercado constitui um dos principais pontos de partida na análise e elaboração de projetos. No entanto, trata-se de um dos temas menos conhecidos do ponto de vista técnico.

O time do projeto deve considerar que, ao implementar um projeto, a corporação sempre atua nos mercados de fatores de produção. Isso também implica na avaliação desses por meio de emprego de instrumentos microeconômicos.

A rigor, a microeconomia fornece instrumentos destinados a descrever e analisar o comportamento das unidades de consumo e produção. Essas podem ser consumidores individuais, firmas, investidores, proprietários de fatores de produção (capital, insumos diversos, ativos financeiros, etc.).

Em suma, os instrumentos de microeconomia auxiliam no estudo do comportamento de agentes que tenham um papel no funcionamento da economia e que possam afetar o resultado econômico e financeiro esperado do projeto. Ao fazer isso, estuda como tais unidades tomam suas decisões. Também aborda a interação entre as unidades de consumo e produção, ajudando a entender a dinâmica de certos mercados e, em conseqüência, os processos de determinação de preço e quantidades transacionadas em mercados individuais.

Para avaliar o comportamento do consumidor ou da firma é preciso estimar as correspondentes curvas de demanda e oferta. A rigor, as curvas de demanda e oferta derivam da função demanda e função oferta, respectivamente. Estas estão associadas às estimativas traduzidas na teoria econômica (p. ex., o consumo é função da renda). A rigor, as funções dependem se um conjunto de variáveis.

Em geral, a função demanda (QD), definida abaixo, sofre muitas influências tais como, preço do bem (p), preço dos bens e serviços complementares (pc), preço dos bens e serviços substitutos (ps), variações na renda do consumidor (R), influencias especiais (expectativas, regulação, etc.), entre outras.


Já a função oferta (QS), apresentada abaixo, depende da tecnologia empregada (definida na função de produção), dos custos de produção (níveis de salários w, custo do capital r, etc.), preços dos bens relacionados, organização e poder de mercado, etc.


Nos dois casos (determinação da curva de demanda e oferta) o desafio é propor um modelo que capte todos os elementos significativos (por meio de técnicas estatísticas) e as correspondentes medidas de sensibilidade (representadas por meio dos betas e alfas das funções).

Por fim, o equilíbrio de mercado é determinado pela igualdade entre demanda e oferta:


Desvios em torno desse ponto de equilíbrio provocam ajustamentos no padrão de aquisições (consumidor) e estoques (firmas). Por exemplo, ceteris paribus (ou mantendo todas as demais condições constantes), excessos de oferta provocam o ajustamento por meio da redução da procura do consumidor e aumento de estoques de empresas que atuam em uma mesma indústria (definida como conjunto de empresas que ofertam produtos ou serviços muito semelhantes entre si). Nesse contexto, estas procuram reduzir os preços ou lançar promoções a fim de estimular as vendas (há alguma analogia com serviços de telecomunicações?). Esses movimentos restabelecem o equilíbrio entre oferta e demanda. Já no longo prazo, os desequilíbrios perenes são ajustados pelo processo de investimento e desinvestimento das corporações.

Exercícios de estática comparativa (manter tudo o mais constante e alterar o valor de uma das variáveis que afetam a oferta ou demanda) podem auxiliar na avaliação dos riscos de mercado (variação no poder aquisitivo, variação no preço dos insumos, efeitos da política tributária, etc).

As estimativas de demanda e oferta podem ser obtidas por meio de modelos de equações simultâneas, técnicas de regressão linear ou emprego de técnicas de séries temporais. Como sugerido, esses procedimentos pertencem ao domínio da econometria – parte da Ciência Econômica que combina teoria econômica, cálculo diferencial e estatística com vistas a predição e previsão.

Em contraste, a literatura de gerenciamento de projetos fixa suas abordagens em estimativas top down ou botton up, restringindo-as à modelagem de custos e prazos associados ao planejamento e programação do projeto. Pouco tem a dizer acerca dos benefícios e custos do projeto – esse um componente fundamental da análise do retorno para o investidor uma vez que interfere no orçamento do projeto.

Ao estudar as leis que regem o comportamento e interações entre consumidores e firmas individuais a microeconomia procura explicitar como os mercados operam. Esse entendimento auxilia no planejamento de recursos e permite verificar ex ante os efeitos de mudanças no meio ambiente que afetam as decisões (variações no budget do projeto, p. ex.).

Esses objetivos envolvem avaliar a sensibilidade da demanda ou da oferta em relação a:
  • Variação no preço do próprio bem ou serviço (elasticidade preço de demanda e elasticidade preço de oferta);
  • Variações na renda (elasticidade preço de renda);
  • Variações em relação ao preço de determinado bem (elasticidade preço cruzada).
Em suma, os instrumentos de microeconomia permitem avaliar os determinantes da demanda e oferta, propor um modelo matemático associado às respectivas funções, bem como estabelecer exercícios de estática comparativa em torno de mudanças nos condicionantes do comportamento de consumidores, firmas, etc. Tais análises também auxiliam nos processos de gerenciamento de custos e aquisições em projetos, uma vez que dão maior margem de certeza e reduzem a assimetria de informações entre clientes e fornecedores de insumos.

Como parte da Ciência Econômica, a microeconomia abrange os seguintes temas relacionados na figura 14.

Figura 14: Tópicos fundamentais em teoria microeconômica.

Como pode ser observado na figura acima, a microeconomia se subdivide duas grandes áreas: teoria do consumidor e teoria da firma (que compreende a teoria da produção e teoria dos custos de produção). O estudo dessas unidades de consumo e produção parte de dois axiomas básicos:
  • Os consumidores procuram maximizar sua satisfação no consumo sujeitos ao preço dos bens e às suas correspondentes restrições orçamentárias, ao fazer isso decidem quanto consumir de cada bem ou serviço;
  • As firmas objetivam maximizar lucros, ao fazer isso devem adotar certas tecnologias, definir a o volume de investimento e quantidade de fatores que serão empregados bem como a quantidade de bens ou serviços a serem ofertadas.
Inserida nesse contexto, a economia da informação aborda a definição do escopo de bens da informação, sua precificação, a estrutura de custos dos projetos, etc. A rigor, como enfatizam Varian, Farrel e Shapiro (2004) “high-technology industries are subject to the same market forces as every that other industries. However, there are particularly some forces that are particularly important in high-tech …” (VARIAN; FARREL; SHAPIRO, 2004).

A rigor, trata-se de um tema pouco estudado nas escolas de economia, engenharia, administração e MBA’s. As razões para tanto são as mesmas apontadas na seção inicial do tutorial.

Com efeito, a economia da informação trata de temas ligados a estratégias comerciais de compra e venda de serviços típicos da informação (hadwares, softwares, serviços, etc.). O escopo de abordagens é bastante amplo, como pode ser observado a seguir:
  • Estabelecimento de políticas de fixação de preços de bens e serviços (price information) da informação (hardware, softwares, serviços, etc.) ou fixação de estratégias de competição baseadas em preço (price competition), tais como diferenciação de preço (differential pricing) e identificação de grupos de consumidores com características comuns (group pricing) que podem resultar no empacotamento e ou “composição” de diferentes tipos de bens da informação (buldling and aggregation);
  • Estabelecimento de estratégias de competição baseadas na criação de versões (versioning information) visando alcançar efeitos de rede e economias de escala (network effects and increasing returns), externalidades de rede e complementaridades (information complements);
  • Maximização de retorno e gestão de direitos (rights management) para obter ou se precaver do aprisionamento e custos de troca (lock-in and switching cost).
Pode-se identificar alguma relação com cases recentes no mercado de telecomunicações?

Relacionados a questões de natureza microeconômica, adianto que há uma série de temas de interesse relacionados à eficiência econômica em mercados de bens da informação: direito de propriedade e otimização do valor; custos, divulgação e bens informação enquanto bens da experiência; relação preço, custo e valor; magnitude e implicações de custos amortizados; economias de escala na produção e economias de escala na demanda; fixação personalizada de preços, fixação de preços baseada em grupos e criação de versões; modelo da empresa dominante, liderança de custos e produto diferenciado; externalidades de rede e feed back positivo; liderança de preço e liderança de custo; auto-seleção, estratégias de criação de versões (demora, aborrecimento, conveniência, capacidade, velocidade, tamanho, resolução e design, diferenciação de interfaces, flexibilidade de uso, características e funcionalidades, abrangência. provisão de serviços e suporte), entre outros temas.

Em suma, o que deve nortear a ação das estratégias de atuação no mercado em torno de decisões de compra e venda de bens da informação é algum entendimento dos fatores econômicos de curto e longo prazo relacionados a esses aspectos.

Por exemplo, a aquisição de um aparelho celular e ou escolha de uma determinada operadora, envolvem diversos fatores como efeitos de economias de rede, serviços relacionados e outras complementaridades, portabilidade de número, efeito renda, lock-in e custos de troca, estratégia de criação de versões, entre outras questões.

Muitas das discussões associadas à economia da informação envolvem forças econômicas básicas (economia de custos, estudo da relação entre oferta e demanda, diferenciação de produtos, economias de escala, externalidades, etc.). O equilíbrio entre essas forças conduz ao sucesso ou fracasso das ações empresariais (tais forças interagem no tempo e no espaço). A partir do exposto, surgem as seguintes questões:
  • Quais as estratégias de configuração de produtos e custos em mercados de bens da informação?
  • Quais estratégias podem ser adotadas para atrair clientes e precificar bens da informação?
  • Em suma, quais estratégias contribuem para otimizar receitas ou interferem nas despesas no caso de aquisição?
Esses temas serão retomados no terceiro tutorial onde procurarei relaciona-los aos aspectos econômicos na avaliação do Case I-Phone da Apple.

Devido a sua complexidade e características, isso é particularmente importante em projetos ligados a bens da informação. Esses envolvem uma série de critérios aderentes ao ITIL (figura 15).


Figura 15: Aspectos envolvidos em investimentos em serviços intensivos em TI.
Fonte: Elaborado pelo autor com base no ITIL.

Gestão de Projetos de TI - I: Modelagem de Projetos

As metodologias e técnicas empregadas no gerenciamento de projetos, notadamente o PMoBK®, partem do princípio segundo o qual um projeto e ou cada uma de suas etapas pode ser decomposta em um conjunto de fases. Essas são descritas esquematicamente na figura 5.

Tradicionalmente, a qualidade de um projeto é considerada em termos do atendimento de seus parâmetros de escopo, prazo e custo (triângulo de restrições do projeto). Contudo, pouca ênfase é dada aos processos de concepção, análise de viabilidade e financiamento bem como a gestão das operações pós-projeto.

Figura 5: Decomposição de fases de um projeto.
Fonte: Adaptado do PMBoK® (2003).

Como conhecido (figura 6), essas fases envolvem crescente emprego de recursos, à medida que este avança em direção á fase de execução, finalização administrativa e entrega do produto/serviço que motivou sua implementação.

As modernas corporações costumam tomar decisões baseadas em aspectos qualitativos como aderência com a estratégia, avaliação de pontos fortes, oportunidades, ameaças, etc. (análise SWOT). Isso faz sentido, pois a aderência do projeto à estratégia diminui riscos, evita redundâncias, e minimiza custos (contribuindo para a consecução de metas previstas), trazendo ainda outras vantagens.

No entanto e do ponto de vista financeiro, é preciso considerar que a tomada de decisões em torno de projeto mutuamente excludentes envolvem a avaliação dos benefícios esperados vis-à-vis esforços necessários para sua efetivação.

Figura 6: Esforço empreendido e decomposição de fases de um projeto.
Fonte: Adaptado do PMBoK® (2003).

Assim, ao avaliar um projeto é necessário dimensionar e confrontar (tendo como parâmetro básico o custo do capital) o esforço associado ao ciclo do projeto com o resultado relacionado ao ciclo operacional.

Conforme a figura 7, esse tipo de abordagem exige a obtenção de estimativas de gastos (associadas ao ciclo do projeto e ciclo operacional) e de estimação do resultado operacional líquido (esse relacionado ao ganho esperado do projeto).

Figura 7: Desenho esquemático do Fluxo de Caixa associado a um projeto (*).

(*) Nota: O fluxo de caixa envolve uma série de gastos os quais podem ser seqüenciados por intervalo de tempo. Esses são representados por meio das vermelhas setas apontadas para baixo. A rigor essas indicam as estimativas de saída de caixa [PMT’s ( - )]. No entanto, a análise das alternativas também deve envolver o ganho esperado. Esse são representador por meio das setas azuis apontadas para cima [PMT’s ( + )]. O fato de se verificarem valores positivos não significa que a fase operacional não absorva gastos. (custos, despesas, amortização de investimentos e gastos pré-operacionais, etc.). Por outro lado e como será indicado na seção 4, mesmo que um projeto só apresente gastos é possível gerar indicadores que permitam a tomada de decisão entre alternativas mutuamente excludentes.

Com efeito, a figura 8 representa o fluxo de caixa de um projeto a partir da consolidação de contas por meio do Demonstrativo de Resultados do projeto. Além dos gastos estimados associados à nova operação durante o Ciclo Operacional (custos, despesas, overheads, etc.), os gastos associados ao Ciclo do Projeto (gastos pré-operacionais, custos diretos, overheads, etc.) devem se traduzir em juros, amortização de gastos pré-operacionais, etc., para efeito de apuração do fluxo de caixa líquido ou livre.

É a partir de estimativas de gastos e sua sistematização que são gerados os indicadores de tomada de decisão (esses sumariamente apresentados na no próximo tutorial da série).

Em suma, a avaliação da viabilidade de um projeto envolve a estimativa do fluxo de caixa operacional do projeto. Contudo, outras análises devem ser elaboradas.

Figura 8: Estrutura típica de um Demonstrativo de Resultado (DRE) (*).

(*)Nota: As contas devem ser dimensionadas a dependem da estrutura de gastos do empreendimento e das projeções de receitas. Assim, envolve o dimensionamento do tempo ou prazo da operação. O Demonstrativo de Resultados apresenta uma estrutura de referência.

Qualquer projeto envolve a aplicação de certa quantia de recursos nas mais diferentes formas (maquinaria, equipamentos, recursos humanos, softwares, etc.) e alguma forma de financiamento (recursos próprios, financiamento de terceiros, emissão de títulos, subscrição, etc.).

Esse movimento de recursos impacta diretamente no Balanço Patrimonial uma vez que, ao consolidar a origem e aplicação de recursos, sempre se verifica a seguinte identidade:

Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido

O orçamento do projeto exige: realizar o orçamento de capital (seção 5), avaliar o impacto do empreendimento nas operações corporativas, garantir eficiência no uso dos ativos, avaliar grau de liquidez, rentabilidade de ativos, grau de alavancagem financeira (próximo tutorial e seção 6 a seguir), entre outras considerações.

Em suma, uma vez que esses recursos sejam alocados e que o projeto termine a empresa certamente terá alterado a composição de seus ativos e passivos registrados no Balanço Patrimonial (figura 9).

Estratégias de implantação de novos produtos ou serviços que não levem em conta esses efeitos serão incompletas e temerárias. Novamente, há uma falta de compreensão acerca dessas questões. Por exemplo: após implementada, uma nova operação pode conduzir a incrementos no volume de contas à receber vis-à-vis recebimentos à vista. Isso pode comprometer o às disponibilidades de caixa e com essa o pagamento de contas repetitivas de curto e curtíssimo prazo (obrigações com prazos de vencimento inferiores um ano como salários, fornecedores, juros, etc.) podendo conduzir a empresa à bancarrota ou sua liquidação judicial.

Figura 9: Balanço Patrimonial e sua estrutura de contas.

Assim, o gestor e o time do projeto têm que definir um modelo para o negócio e planejar a implementação da operação de forma eficiente e viável do ponto de vista econômico e financeiro. Isso envolve elaborar o orçamento de capital, avaliá-lo e executá-lo de forma eficiente, levando em conta todas as suas implicações.

Quando a operação começar a gerar lucros, esses serão contabilizados no Balanço Patrimonial (figuras 10a e 10b).

No entanto, durante a modelagem do projeto os efeitos sobre a liquidez, endividamento, rentabilidade, etc., devem ser previamente avaliados. Por exemplo, é comum os técnicos confundirem lucros acumulados ou lucros retidos com caixa ou disponibilidades. Ora, o lucro esperado ou realizado pode ser alocado no financiamento de contas do ativo não se revertendo diretamente em caixa. Por outro lado pode haver um descompasso entre contas a pagar e receber. Adicionalmente, em seguimentos onde os estoques são significativos, os métodos de avaliação desses haveres podem distorcer os índices de liquidez (corrente e seca) e os resultados – devido ao impacto da contabilização dessa variável sobre o custo das mercadorias ou serviços vendidos.

Figura 10a: Relação entre Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados.

Ou seja, o projeto ao absorver e gerar um fluxo de recursos e gastos contra receitas interferindo na rentabilidade das operações corporativas. Como o patrimônio líquido constitui valor residual, possíveis perdas ocasionadas por recebimentos duvidosos, p. ex., podem resultar em perdas ao investidor – uma vez que reduzem o valor do Patrimônio Líquido, já que:

Patrimônio Líquido = Ativo - Passivo

Por outro lado, como o lucro da operação pode não se reverter em caixa (ou recursos imediatamente disponíveis) necessário para pagamento das obrigações assumidas (como salários, pagamento de fornecedores, juros, etc.), também é importante prover a avaliação do Fluxo de Caixa do Empreendimento – antes e após a implementação do projeto.

A pergunta que se deve fazer é: o projeto gerará caixa suficiente para cobrir as novas obrigações?

Figura 10b: Relação entre Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados.

As variações no caixa, captadas por meio do tratamento de dados do Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultados, possuem três origens:

Fluxo de caixa das atividades operacionais
  • Referência as receitas e gastos contra receitas registrados no Demonstrativo de Resultados da empresa ou do projeto.
  • A importância da projeção e análise dessa demonstração em projetos se dá em razão da análise custo benefício de cada proposta mutuamente excludente.
Fluxo de caixa das atividades de investimento
  • Referência a variação de caixa oriunda dos gastos e venda de ativos imobilizados (novos projetos aumentam o volume de ativos imobilizados absorvendo caixa).
  • A venda de maquinaria à vista amplia o caixa disponível e vice-versa.
Fluxo de caixa das atividades de financiamento
  • Referência a variação de caixa oriunda do resgate de dívidas, venda de obrigações, pagamentos de vendas de títulos, dividendos (em contrapartida aos investimentos projetos envolvem um fluxo de novos recursos).
Conforme a figura 12, os recursos podem prover de várias fontes: mercado financeiro, dívidas de curto prazo e recursos providos pelos investidores. Esses capitais são aplicados em ativos operados pela empresa os quais geram o FDC operacional.

Por outro lado, as atividades de investimento e desinvestimento e aporte financeiro também interferem na disponibilidade de caixa. Assim, a projeção de caixa é essencial na tomada de decisões. Então a questão a ser abordada é: o projeto interfere de forma positiva sobre o fluxo de caixa corporativo?

Pelo exposto até aqui, os Demonstrativos Contábeis constituem instrumentos de acompanhamento e controle da situação econômica, financeira e patrimonial das empresas. Esses traduzem, em uma linguagem específica, os resultados das atividades empresariais e permitem que os usuários (internos e externos) avaliem o empreendimento em um sentido estático e dinâmico.

Figura 12: Sistematização de origens e aplicação de caixa de uma corporação.

Adicionalmente, os Demonstrativos Contábeis são utilizados na modelagem de projetos por meio de análises prospectivas como meio de avaliar a rentabilidade do empreendimento e seu impacto nos resultados corporativos.

Em suma, cada decisão corporativa (incluindo a implementação de novos projetos), corresponde a impactos econômicos, financeiros e patrimoniais cuja extensão depende de muitas variáveis (internas e externas à empresa). Por exemplo, a capacidade de financiamento depende da análise de crédito da empresa (por meio da avaliação do grau de alavancagem, capacidade de auto-financiamento, etc.), fundamentação da viabilidade do projeto, níveis de juros praticados pelo mercado, etc. A análise retrospectiva e prospectiva das Demonstrações Contábeis está no cerne desses processos.

A rigor, a importância da disciplina Finanças Corporativas se insere no contexto dessas discussões. Nesses termos, certas questões estão no cerne de análise de custos e benefícios do projeto.

A primeira questão crítica está relacionada à seleção de alternativas (que investimentos realizar?). Como indicado acima o Demonstrativo de Resultados pode ser utilizado para organizar as estimativas de receitas e gastos contra receitas – tornando possível a avaliação da viabilidade de empreendimentos mutuamente excludentes.

Uma vez que técnicas de avaliação do fluxo de caixa operacional tenham sido aplicadas e a alternativa mais atrativa tenha sido selecionada, é preciso captar recursos (quais e qual a melhor forma financiar a alternativa eleita?). Isso envolve aspectos da formatação do projeto por meio do Relatório Final de Viabilidade Técnica e Econômica contidos no Business Plan.

Um aspecto muitas vezes negligenciado está ligado ao impacto do novo projeto na estrutura financeira da corporação. Como sugerido acima, novos empreendimentos provocam flutuações na composição de ativos e passivos sob responsabilidade da corporação (quais os impactos do novo empreendimento e como gerir os investimentos no curto prazo?).

Outro fator de grande importância remete a avaliação de riscos econômico-financeiros do empreendimento. Assim, é preciso avaliar quais fatores econômicos e financeiros interferem na atratividade do empreendimento (quais e como dimensionar e mitigar os riscos econômicos e financeiros do empreendimento?).

Em suma, conhecimentos em finanças fornecem instrumentos para orientar a coleta e organizar a massa de informações destinadas a prover tais análises. A partir daí, análise financeiras críticas devem ser implementadas. No entanto, o dimensionamento de contas é tributário de análise econômicas o que remete as discussões estabelecidas à seguir.

Custo de oportunidade

O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa.
O custo de oportunidade foi definido como uma expressão "da relação básica entre escassez e escolha".[1]
Os custos económicos incluem, para além do custo monetário explicito, os custos de oportunidade que ocorrem pelo facto dos recursos poderem ser usados de formas alternativas.
Em outras palavras: O custo de oportunidade representa o valor associado a melhor alternativa não escolhida. Ao se tomar determinada escolha, deixa-se de lado as demais possibilidades, pois são excludentes, (escolher uma é recusar outras). À alternativa escolhida, associa-se como "custo de oportunidade" o maior benefício NÃO obtido das possibilidades NÃO escolhidas, isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar". O mais alto valor associado aos benefícios não escolhidos, pode ser entendido como um custo da opção escolhida, custo chamado "de oportunidade".

Um exemplo clássico da literatura económica: imagine uma fábrica de cadeiras que produzia 10 cadeiras por mês num mercado que absorvia totalmente esta produção. Diante de uma oportunidade de negócios, esta fábrica resolveu iniciar uma produção de um novo produto: mesas. Porém, ao alocar recursos para tal, descobriu que terá de deixar de produzir 2 cadeiras para alimentar a demanda de 2 mesas. O custo de oportunidade está no valor perdido da venda das 2 cadeiras que deixaram de ser fabricadas.
Se uma cidade decide construir um hospital num terreno vazio de propriedade estatal ou pública, o custo de oportunidade é representado pela renúncia a erguer outras construções naquele terreno e com o capital investido. Rejeita-se por exemplo a possibilidade de construir um centro desportivo, ou um estacionamento, ou ainda a venda do terreno para amortizar parte das dívidas da cidade, e assim por diante.
As punições previstas para as autoridades que desrespeitem a Lei autorizativa, no que se refere a aplicabilidade do custo de oportunidade, varia de país para país.

Wednesday, January 05, 2011

codigo da vinci

public int codigo() {
    return 10+10;
}

Weighted Average Cost Of Capital - WACC

What Does Weighted Average Cost Of Capital - WACC Mean?
A calculation of a firm's cost of capital in which each category of capital is proportionately weighted. All capital sources - common stock, preferred stock, bonds and any other long-term debt - are included in a WACC calculation. All else equal, the WACC of a firm increases as the beta and rate of return on equity increases, as an increase in WACC notes a decrease in valuation and a higher risk.

The WACC equation is the cost of each capital component multiplied by its proportional weight and then summing:


Weighted Average Cost Of Capital (WACC)


Where:
Re = cost of equity
Rd = cost of debt
E = market value of the firm's equity
D = market value of the firm's debt
V = E + D
E/V = percentage of financing that is equity
D/V = percentage of financing that is debt
Tc = corporate tax rate

Businesses often discount cash flows at WACC to determine the Net Present Value (NPV) of a project, using the formula:

NPV = Present Value (PV) of the Cash Flows discounted at WACC.

Saturday, January 01, 2011

Algumas Diferenças Concetuais de Como Utilizamos o Dinheiro

GASTO: SACRIFÍCIO DE VALORES PARA OBTENÇÃO DE PRODUTO OU

SERVIÇO REPRESENTADO POR PROMESSA OU ENTREGA DE ATIVOS CUSTO

INVESTIMENTO: GASTO ATRIBUIDO EM FUNÇÃO DA SUA VIDA ÚTIL OU BENEFÍCIO ATRIBUÍVEL A PERÍODOS FUTUROS

CUSTO: GASTO RELATIVO A BEM OU SERVIÇO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE OUTROS BENS E SERVIÇOS

DESPESA: BEM OU SERVIÇO CONSUMIDO DIRETA OU INDIRETAMENTE PARA O OBTENÇÃO DE RECEITAS